República das Bananas S.A. - Por um jornalista tentando não surtar (muito)
- temporacomunicacao
- 23 de jul.
- 2 min de leitura
Coluna do Jornalista Fernando Kopper
Nos últimos dias, o noticiário parece uma espécie de "Big Brother: Edição Presidenciáveis", estrelando Lula, Trump e, claro, Alexandre de Moraes como o fiscal do jogo. E, como bons brasileiros que somos, é claro que estamos obrigados a assistir esse circo – de camarote, sem pipoca (porque está cara demais).
Vivemos numa espécie de república das bananas gourmet, onde nada mudou, só subiu de preço. A velha política do café com leite segue firme e forte, só que agora servida com gosto de ranço e fake news. Troque os ternos antigos por lives no Instagram, e pronto: temos um remake da nossa história política, versão 2025.
Como jornalista, a missão é clara: informar. Mas olha... tá difícil. Num país tão bipolar quanto um liquidificador com defeito, se você escreve sobre o Lula, é petista comunista comedor de criancinha. Se escreve sobre o Bolsonaro, automaticamente se torna bolsonarista fascista comedor de cloroquina. E se ousar mencionar o Trump? Ah, parabéns! Você acaba de ganhar um chapéu de alumínio e o título de "globalista infiltrado da CIA".
E agora, veja só, o tal “Trumpismo” já se instalou aqui. Isso mesmo, como praga de gafanhoto. Nem precisamos importar, o Brasil é tão eficiente em tretas que já produziu sua versão nacional: com direito a cercadinho, teoria da conspiração e uma legião de “influencers” com QI negativo e microfone.
Enquanto Lula fala mais do que devia (e menos do que precisa), e Trump acha que o planeta é uma extensão do banheiro dourado dele, quem paga essa conta somos nós. Não “nós” elite política, claro. Nós, tipo o seu João do mercadinho, que já não sabe mais se aumenta o preço ou fecha a porta. Dona Maria, costureira, que vê o zíper e o fecho subindo mais que o salário. E, claro, eu e você, leitor, que não temos colheitadeiras para estacionar nos trevos, nem helicóptero para fugir do caos — mal temos saldo para pegar o ônibus.
Protestar? Só se for mentalmente. Porque um dia parado é um dia a menos de arroz no prato, ou pior, de boletos pagos. Enquanto isso, assistimos ao embate épico entre narrativas, egos e teorias, e a única certeza é que a batata — literalmente — vai continuar subindo.
A pergunta que não quer calar: quando é que a gente vai poder viver em paz?
Resposta provável: só quando o tomate baixar de preço. E, do jeito que está, talvez só na próxima encarnação.
Até lá, seguimos aqui: na República das Bananas S.A., tentando não escorregar.















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