Venezuelano no RS relata três horas de angústia pela falta de contato com pai durante terremoto
- temporacomunicacao

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Pai de Hector Lopez, liderança venezuelana na Região Metropolitana de Porto Alegre, ficou bem após descer de escadas de prédio no centro de Caracas durante tremores

O pai de Hector Lopez, liderança venezuelana vivendo no Rio Grande do Sul, morador de São Leopoldo, na Região Metropolitana, precisou descer as escadas a partir do 4º andar do prédio em que vive, na área central de Caracas, capital da Venezuela, durante o forte terremoto que atingiu o país no final da tarde da última quarta-feira. Ele soube da situação depois de três horas buscando informações, quando finalmente ele conseguiu contatar o filho por mensagem de texto.
O pai informou que ele, o irmão e um sobrinho de Lopez estavam a salvo, assim como o edifício em que estava, mas uma amiga de infância dele, que mora em La Guaira, um dos estados venezuelanos mais afetados pela tragédia natural, segue desaparecida. Até a última atualização desta reportagem, os tremores, um de 7,2 graus na escala Richter, e outro menos de um minuto depois, ainda de 7,5 graus, haviam deixado 164 mortos e cerca de mil feridos, segundo a presidente venezuelana, Delcy Rodríguez. Porém os números podem aumentar.
“Fico muito feliz por pelos meus parentes, mas muito triste por aquelas pessoas que perderam tudo. A gente passou a situação das enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, e foram duas coisas diferentes. Aqui foi a água, e lá foi o terremoto que acabou praticamente com prédios inteiros”, comentou Hector. A comunicação com a comunidade migrante é intensa, e o número de venezuelanos vivendo no Rio Grande do Sul, especialmente vindos por meio de operações humanitárias de interiorização, como a Acolhida, é alto.
De acordo com o presidente da Casa dos Migrantes e Refugiados do RS (CIIRS), Narrador Kanhanga, há cerca de 20 mil deles vivendo somente em Porto Alegre. O número é considerado subestimados pela Organização das Nações Unidas para as Migrações (OIM), que fala em 30 mil a 35 mil somente na Capital e por volta de 130 mil a 140 mil no Rio Grande do Sul. A CIIRS, em conjunto com a associação Migrantes e Refugiados Unidos RS, criaram uma vaquinha virtual para ajudar a população venezuelana após os tremores. O endereço para ajudar é este.
“Eu mesmo passei várias mensagens nos grupos que temos de imigrantes para saber se alguém precisava de informações ou precisava de auxílio”. Saber do terremoto foi devastador ainda na noite da quarta foi devastador para ele. López contou que soube inicialmente por meio de um amigo que vive em Carabobo, no centro da Venezuela, achando que era “brincadeira” ou um tremor simples no começo. No entanto, a situação mudou drasticamente a partir da réplica do terremoto.
"Migrante nunca vai deixar de pensar em sua terra natal”
Uma irmã de Hector, que mora no Peru, conseguiu avisar que edifícios haviam desabado em Caracas, o que acendeu a preocupação para a situação do pai. “Quando a gente sai de um país, o corpo é que sai, mas o coração fica. E o migrante nunca vai deixar de pensar em sua terra natal”, destacou López. Sthefania Castillo, jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi outra que buscou relatos após o terremoto.
“Perto das 19h30min, no horário daqui, recebi mensagem da minha irmã falando que houve um terremoto lá, e eu imediatamente liguei para minha mãe, para saber como ela estava. Mas como a maioria dos meus parentes não mora na região mais impactada, eles não foram afetados”, destacou ela. Morando no Rio Grande do Sul há dez anos, Sthefania relatou que a primeira sensação é de “susto e ansiedade”. “Queremos saber se todos meus parentes e conhecidos estão bem. É muito parecida com a sensação que vivemos aqui na enchente. Este sentimento de medo e ao mesmo tempo querendo ajudar de alguma forma”.












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