Você tem um bom psicólogo para te acompanhar na psicoterapia e na vida?
- temporacomunicacao
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COLUNA DA PSICOLOGA FRANCIELE SASSI

Buscar psicoterapia é uma escolha que envolve responsabilidade consigo mesmo. E sustentar esse processo ao lado de um bom profissional é o que realmente transforma essa decisão em cuidado efetivo. Em um tempo em que tudo parece rápido, imediato e cheio de “respostas certas”, é fundamental lembrar que o sofrimento humano não segue essa lógica. Parece óbvio, mas o óbvio é justamente aquilo que precisa ser dito, desenhado, reforçado. Questões internas não se resolvem com fórmulas prontas, nem com interpretações superficiais. Por isso, a importância de estar com um profissional competente, que estuda, se atualiza e, principalmente, que respeita a complexidade de cada história. Psicólogo não está num lugar de ser juiz, de trazer questões sociais atravessadas às suas próprias experiências, muito menos de contar suas próprias experiências sem qualquer finalidade terapêutica. Conversa de comadre, como sempre digo, ninguém precisa pagar para ter.
Um psicólogo preparado não se coloca no lugar de quem sabe tudo sobre você. Pelo contrário: ele compreende que o conhecimento técnico é apenas uma parte do processo. A outra e, talvez, a mais importante, é a construção conjunta. Isso exige escuta real, sensibilidade e disponibilidade para sustentar perguntas, dúvidas e até silêncios. Porque, na psicoterapia, o que mais ajuda não é a resposta imediata, mas o tempo necessário para que algo possa ser elaborado de forma verdadeira. Por isso, digo que psicoterapia não é pra todo mundo. É pra quem sustenta o processo, aprende a ter paciência e respeito, antes de tudo, consigo mesmo.
Profissionais que têm respostas prontas para tudo podem até causar uma sensação inicial de alívio como se, finalmente, alguém tivesse clareza sobre o que está acontecendo. Mas esse tipo de condução, no longo prazo, pode ser perigoso e não é eficiente, uma vez que nada faz efeito quando vem só de fora e não é pensado e sentido dentro. Respostas protocoladas desconsideram o seu ritmo, ignoram suas particularidades e, muitas vezes, impõem sentidos que não são realmente seus. Quando isso acontece, o processo deixa de ser um espaço de construção e passa a ser um espaço de adaptação em que você tenta caber em algo que não necessariamente te representa.
A psicoterapia de verdade não acelera aquilo que precisa de tempo, não força compreensões, não empurra mudanças e não invade espaços que você ainda não consegue acessar. Um bom profissional sabe esperar. Sabe que cada pessoa tem um tempo próprio de contato com suas dores, suas defesas e suas possibilidades. E, mais do que isso, sabe reconhecer quando algo ainda não pode ser dito, compreendido ou transformado, e respeita isso.
Outro ponto essencial é a qualidade do vínculo. Um espaço terapêutico eficiente não pode ser atravessado por julgamentos, críticas rígidas ou reações emocionais descontroladas do profissional. Se você sente que precisa medir palavras, esconder partes de si ou teme ser repreendido, algo não está funcionando como deveria. A psicoterapia precisa ser um lugar onde você possa existir de forma inteira, inclusive com suas contradições, falhas, ambivalências e dúvidas. Sentir-se “em casa” dentro do processo terapêutico não significa conforto o tempo todo, mas sim segurança para se expor, para tocar em temas difíceis, para reconhecer aspectos de si que talvez nunca tenham sido nomeados. É nesse tipo de ambiente que a confiança se constrói, porque sem confiança, não há aprofundamento possível.
Um profissional capacitado não se impõe, não domina o processo e não ocupa um lugar de superioridade. Ele caminha ao seu lado, sustentando o espaço necessário para que você possa se encontrar consigo mesmo. Isso inclui acolher o que você traz, mas também saber intervir com responsabilidade, quando necessário, sempre com cuidado e embasamento. Escolher com quem fazer psicoterapia é, portanto, uma decisão que merece atenção. Não se trata apenas de buscar alguém disponível, mas alguém que realmente esteja preparado para te acompanhar em um processo tão delicado. Alguém que não simplifique sua dor, que não reduza sua história e que não apresse o que precisa ser vivido. O barato, às vezes, sai caro. E nem se trata unicamente do financeiro.
No fim, a psicoterapia não é sobre encontrar respostas prontas. É sobre construir, aos poucos, um entendimento mais profundo de si mesmo. E isso só é possível quando há um encontro verdadeiro entre você e um profissional que respeita, sustenta e valoriza esse processo em toda a sua complexidade.











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