A Epidemia da Mediocridade e o Combate dos Alquimistas Inquebrantáveis
- temporacomunicacao
- 17 de out.
- 2 min de leitura
Coluna de Diego Franzen
Na era em que todos se pavoneiam como deuses efêmeros e proclamam a própria insignificância como triunfo, erguem-se os poucos que ainda se dignam a caminhar sem se dissolver em névoa volúvel.
Que deleite ver o mundo entretido em sua própria fragilidade, cada um tropeçando em promessas de mercúrio e gargalhando de si mesmo.
Eis o homem que recusa o aplauso fácil, que não troca a própria constância pelo efêmero aplauso das multidões vazias, que transfigura as pedras da vida em ouro moral enquanto os demais se afogam em espelhos de vaidade.
Cada desafio é recebido como se fosse uma piada cósmica: o vendaval, as intempéries, as afrontas da época, todas provas destinadas aos fracos de espírito.
A vida, que para a maioria se resume a um teatro de aparências, é para ele um cadinho alquímico. O suor da perseverança, o labor silencioso, a integridade mantida contra a maré dos fúteis, eis a verdadeira transmutação, aquela que nem o tempo nem o sarcasmo do mundo conseguem corroer.
Sonhar tornou-se um ato herético.
E não sem razão.
Os devotos da mediocridade olham com desdém para quem ousa condensar em pensamento etéreo o orvalho dos impossíveis e submetê-lo à chama da vontade.
Cada projeto, cada ambição, cada gesto de grandeza é recebido com uma mistura de inveja e riso zombeteiro.
Mas é justamente nesse ridículo coletivo que se revela a força dos alquimistas inquebrantáveis. Cada desprezo é combustível. Cada escárnio é martelo na bigorna da alma, cada humilhação aparente polimento da própria essência.
Fidelidade à palavra tornou-se excentricidade. Decência, um ato quase subversivo. Os que ainda sustentam a honra como coluna axial de seu ser são vistos como antiquados, ridículos, descompassados com o ritmo frenético de quem troca valores por likes e aparências.
Mas que ironia deliciosa observar o caos ao redor.
Enquanto a maioria se dissolve em fluxos de vaidade e efemeridade, os poucos constantes irradiam luz própria, incandescentes, imperturbáveis, quase divinos em sua paciência com a estupidez alheia.
A verdadeira alquimia reside em transformar a futilidade do mundo em silêncio contemplativo, a zombaria em força interior, a volubilidade em constância.
Cada gesto virtuoso, cada palavra mantida, cada sonho perseguido contra a maré dos efêmeros é uma vitória silenciosa sobre a epidemia de mediocridade.
O homem decente não negocia com o trivial, não se curva à conveniência, não se afoga na opinião volúvel dos demais.
Ele observa, ironiza, persiste, e transforma cada adversidade em uma constelação de aprendizado e brilho moral.
No final, os alquimistas inquebrantáveis permanecem como faróis sarcásticos em um firmamento saturado de sombra e futilidade, lembrando ao mundo que a verdadeira grandeza não se mede em elogios ou popularidade. Mede-se em constância, coragem e fidelidade à própria palavra, mesmo quando tudo conspira para ridicularizar quem ousa ser íntegro.
E se alguém se atrever a rir dessa nobreza, que ria. O verdadeiro triunfo é saber que, enquanto todos se dissolvem, ele permanece imperturbável, indomável, eterno.
Seguimos, rumo ao infinito.















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