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A Ilusão da Falsa Humildade, Espectro da Mediocridade Encarnada

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • 2 de mai.
  • 3 min de leitura

Coluna de Diego Franzen, jornalista e escritor


A sombra tenebrosa da mediocridade, como uma névoa densa que encobre a clareza da razão, assola silenciosa os recônditos da alma social. Nesse vasto espectro de insignificância, a opinião pública ergue-se como uma tirana invisível, uma força que, embora não visível ao olho, molda, condiciona e subjuga pensamentos, desejos e gestos sob um manto de convencionalidade estreita e superficialidade insípida.

Helena Petrovna Blavatsky, com a lucidez de uma visionária, assevera que essa opinião coletiva “é um tirano invisível, intangível, onipresente; uma hidra de mil cabeças; é a mais perigosa das bestas, pois é composta de mediocridades individuais”.

Assim como a criatura monstruosa de múltiplas cabeças, ela respira sob os corpos apáticos da massa, alimentando-se das pequenezas, dos julgamentos triviais e das opiniões rasas que nascem nesse solo infértil de espírito vulgar. Toda essa engrenagem, que parece uma força impessoal e à toa, é, na sua essência, o reflexo de várias almas pequenas, que se unem numa comunhão de ignorância e mediocridade, tornando-se uma entidade que humilha, silencia e escraviza aqueles que ousam pensar além do óbvio.

Ainda mais pungente é a reflexão do inadequado já mencionado: “O ouro não terá brilho e será simplesmente impureza, se for extraído das lágrimas dos homens”, como nos alerta Apolônio de Tiana. Essa metáfora, carregada de uma beleza amarga, revela o mais secreto dos paradoxos: que o verdadeiro valor, a nobreza e a pureza — símbolos de virtude e sabedoria — só adquirem seu real brilho quando brotam do esforço, do sofrimento e da entrega sincera da alma humana.

Quando, todavia, essa preciosidade é extraída das lágrimas, das dores alheias e do sacrifício que nunca foi nosso, ela perde seu fulgor verdadeiro, tornando-se impureza e falsidade. Assim se dá a condição do falso orgulho, da pretensa humildade, do julgamento precipitado: eles nada mais são senão manifestações do vazio, do peso nulo de uma alma que se fantasia de grande, mas que, na verdade, é submersa em uma vulgaridade de superfície. Essas vozes que se elevam em julgamento, essas opiniões que se julgam superiores, representam uma espécie de impureza moral, uma tristeza disfarçada de virtude, que nada revela de verdadeiro além de sua própria insignificância.

Em meio a esse teatro de vaidades e mediocridades, é lúcido perceber que a abundância de espírito nulo, a incapacidade de criar e de compreender a elevação, leva certos indivíduos a ocuparem o espaço de julgamento com preconceitos e condenações que refletem suas próprias limitações. Essas almas que se envaidecem com uma tímida gloria de pouca monta — de uma moral rasa, de um orgulho vazio — atuam como agentes do desastre social, como sombras que, ao se divertirem com suas pequenas hereges, apenas reforçam a essência de sua própria pequenez. E se "envaidecem por não estarem envaidecidos"

Afinal, como bem disse Blavatsky, “a opinião pública é uma bestialidade composta de mediocridades individuais”, uma monstruosidade coletiva que edifica muralhas invisíveis ao redor da alma, impedindo-nos de ascender às alturas de uma verdadeira liberdade de pensamento.

Se desejar realmente alcançar a transparência de uma existência mais autêntica, é imprescindível reconhecer que o valor verdadeiro também não se encontra na soma dessas opiniões vazias, nem no aplauso coletivo de uma massa de zombadores e condenadores infelizes. O verdadeiro brilho se revela quando ousamos penetrar na própria essência, quando deixamos de extrair o ouro das lágrimas alheias, de buscar honras à custa do sacrifício alheio e de nos contentarmos com as aparências de uma virtude que nada tem de real.

Em última análise, somente ao rompermos com essa tirania invisível, ao abandonarmos a máscara da mediocridade e do julgamento superficial, estaremos livres para adquirir uma verdadeira compreensão de nós mesmos — uma compreensão que brota da autenticidade, da coragem de ser diferente e de reconhecer que a verdadeira dignidade se encontra na busca interior, eterna e sublime, de uma alma que se recusa a se submeter às bestas de mil cabeças que habitam as sombras do mundo.

Que as vozes vazias que julgam de vaidosas aquelas que verdadeiramente fazem a diferença, como a raposa que, incapaz de alcançar as uvas, prefere desprezar-lhes o valor, sirvam de lembrete de que a verdadeira grandeza não se esconde na comodidade da repetição ou na condenação do esforço alheio, mas se traduz na coragem de ser distinto, de trilhar caminhos que desafiam a mediocridade e elevam o espírito humano. Que resistamos à tentação de acolher a mente rasa e limitemos nossos passos àqueles que, com integridade dão corpo à verdadeira transformação.



DIEGO FRANZEN é jornalista, escritor, autor de 14 livros e diretor do Portal Pauta Serrana e da Tempora Comunicação
DIEGO FRANZEN é jornalista, escritor, autor de 14 livros e diretor do Portal Pauta Serrana e da Tempora Comunicação

1 comentário


Decimar Biagini
Decimar Biagini
02 de mai.

Vozes do Sul


Filosofia vazia

que não vê nossa agonia

que nos fala de Platão

mas esquece o chão do Irmão

Se não ouve o que dizemos

por que nela ainda cremos


Somos Sul, somos voragem

da colonial engrenagem

Não somos Érico Veríssimo, Lia Luft, Quintana, mas nós os conhecemos

Somos grito em cada rua

Ou na rede que flutua

Mas sequer com tempo nós lemo-nos


Quando custa uma curtida?

Uma inscrição com leitura

Como ser lido nesta vida

Nesta imperial conjuntura?


Se o pensar não nos contém

então pensemos além

Pois saber sem afeição

não constrói pertença ou pão

Queremos ser escutados

não apenas estudados

Lidos com centelha e paixão

Como quem abraça em união


Decimar da Silveira Biagini

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