A jornada épica do papel ao digital sem perder a essência
- temporacomunicacao
- 23 de mar.
- 4 min de leitura
COLUNA DE DIEGO FRANZEN

A comunicação de hoje é um estalo, um átomo que se parte e ilumina o mundo em milésimos de segundo, mas que, paradoxalmente, parece cada vez mais oca, desprovida daquele pulsar sanguíneo que só o humano consegue imprimir.
Vivemos a era da instantaneidade absoluta, onde a notícia corre antes mesmo de o fato se consolidar, gerando um deserto de profundidade. Qualquer um, munido de um anteparo digital, arvora-se jornalista. Copiam-se fotos alheias, delegam-se textos a inteligências artificiais desprovidas de alma e o resultado é um simulacro de informação, um corpo sem espírito.
O jornalismo, todavia, é profissão de fé e de suor, um sacerdócio que exige pele, olho no olho e uma ética inquebrantável. A essência de escrever, de se posicionar com retidão, de não transmutar a comunicação em instrumento de chantagem ou em mero passaporte para jantares gratuitos, é o que aparta o joio do trigo. Ser correto não é mérito, é a única forma digna de existir.
Minha jornada nesse ofício começou no longínquo ano 2000, um tempo em que a paciência era a maior das virtudes e o jornalismo se fazia no gogó e na sola do sapato. Não havia o Google como oráculo nem o Facebook como arquivo iconográfico.
Para ilustrar uma tragédia, o caminho era o ônibus e a batida na porta da família enlutada. Era no velório, com o coração apertado e a voz embargada, que se pedia a foto do falecido para que ele não fosse apenas um número na página do dia seguinte.
Quando tirávamos fotos, as imagens vinham de máquinas que limitavam o olhar a 12 ou 48 poses, cada clique era uma prece para que a luz estivesse certa. O fechamento era um ritual sagrado de nervos à flor da pele, onde usávamos a massa cinzenta para fazer a notícia render, para dar cor ao cinza da falta de recursos. Escrevíamos no Unitexto, uma geringonça pré-histórica onde a simplicidade de um cedilha exigia combinações bizarras de teclas, um exercício de datilografia e resiliência.
Trabalhar em jornal diário foi o batismo de fogo que me forjou a alma. Ali, sob a égide de mentes brilhantes e generosas como Tcho Antonello, Dirce Manfio, Camila Candeia Paz, Eliete Peixoto, Tamara Mendes e Cristiel Gasparetto, aprendi que a palavra tem peso e que o papel aceita tudo, mas a consciência não.
E como ignorar a influência de Paulo Pinto, que me instigou a buscar a erudição como quem busca o ar, ensinando que o texto deve ter a força de um martelo e a delicadeza de uma seda? No final de 2000, por uma convergência cósmica que até hoje me emociona, vi-me repórter de campo, uma transição que agora revisito em vídeos no Instagram, contando essas crônicas de um tempo que parece de outro século, mas que pulsa em mim como se fosse ontem.
Cheguei a Bento Gonçalves em 2010, cidade de povo culto e, por consequência, povo livre, terra que acolhe o trabalho e premia a persistência. Foi aqui que amadureci, que criei raízes e onde hei de alcançar a plenitude de minha vocação. Minha trajetória na Serra é um mosaico de aprendizados e afetos: colaborei com o Serranossa, tive passagens marcantes pelo Grupo RSCOM e pela Rádio Difusora, atuei nas trincheiras da política como assessor na Câmara e dediquei meu fôlego ao Bento Vôlei. Passei pela Gazeta e guardo uma melancolia mansa por não ter entregue ao Esportivo tudo o que minha capacidade poderia oferecer, mas os desígnios divinos são inescrutáveis e aceito o destino com a cabeça erguida.
Fui Relações Públicas e Grande-Secretário de Comunicação do Grande Oriente do Brasil no Rio Grande do Sul, experiências que poliram minha percepção sobre o dever, a discrição e a honra.
Hoje, o Pauta Serrana é o meu estandarte, o filho dileto nascido do sonho de fazer o correto e prosperar sem abrir mão de um único milímetro de ética.
O projeto evolui ao lado da Agência Tempora, amparado pelo talento e pela garra de Aline Cris Ambrosi e Paula Machline Carrion, mulheres incríveis que dividem comigo o peso e a glória de comunicar.
Migrei para o YouTube, onde a voz encontra eco em mais de 20 mil inscritos e vídeos que superam as 30 mil visualizações, provando que o público ainda tem sede de verdade.
Sou escritor, sou jornalista, sou um sonhador que entende que a tecnologia deve servir ao intelecto, e não substituí-lo.
Continuaremos a fazer a comunicação em que acreditamos, com o vigor de quem sabe que a história não se apaga com um clique, mas se constrói com a força de cada palavra bem colocada e com o coração batendo em cada linha impressa.
O ideal da comunicação reside na preservação da alma sobre o suporte, na prevalência da essência humana que sobrevive à efemeridade dos bits e das tintas. Comunicar com ética e honra é um exercício de transcendência, um compromisso inegociável com a retidão que transforma o relato em um monumento à verdade.
Quando o sonho de informar se alia à guarda da moral, a técnica se curva à consciência de que o jornalismo cumpre sua vocação mais nobre, servindo de farol para um povo que anseia pela liberdade que apenas o conhecimento íntegro pode proporcionar.












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