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A solidão emocional em meio às festas de final de ano

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • 29 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Coluna de Maia Boaro



Maia Boaro é psicopedagoga, psicoterapeuta e psicanalista, com especialização em Término , Dependência e Narcisismo. Especialista em Neuropsicologia e problemas de aprendizagem; Educação especial infantil e TEA; Terapia cognitiva comportamental; Especialização em terapia em aba; Terapia analítica do comportamento infantil; Especialização em alfabetização e letramento.


As festas de final de ano são socialmente vendidas como sinônimo de união, alegria e pertencimento. Mas, para muitos, esse período escancara exatamente o contrário: a solidão emocional.

Não é a ausência de pessoas que dói.

É a ausência de vínculo.

É estar rodeado de familiares, amigos, mesas cheias e ainda assim sentir um vazio difícil de nomear. Um silêncio interno que não se preenche com risadas nem com brindes.

Na clínica, esse sentimento aparece com frequência nesta época do ano. Porque as festas funcionam como um espelho: refletem o que está inteiro e, principalmente, o que está faltando. Relações superficiais tornam-se mais evidentes. Afetos mal resolvidos emergem. Expectativas antigas retornam.

A solidão emocional nasce quando não há espaço para ser quem se é. Quando é preciso performar felicidade para não constranger o outro. Quando o sofrimento precisa ser engolido para manter a harmonia da ocasião.

Muitos se sentem sozinhos porque aprenderam a se adaptar demais. Calaram necessidades, minimizaram dores, aceitaram migalhas afetivas para não romper laços. O preço disso é alto: presença sem conexão.

O final do ano também ativa lutos — não apenas por quem se foi, mas por aquilo que nunca aconteceu:

a família que não foi acolhedora,

o amor que não se sustentou,

o reconhecimento que não veio.

Sentir-se só nessas datas não é ingratidão.

É sinal de que o psiquismo pede vínculos mais verdadeiros.

Talvez o convite deste período não seja “estar com todos”, mas estar inteiro consigo. Reconhecer limites, respeitar emoções e não se violentar emocionalmente para caber em cenários que já não representam quem você é.

A solidão emocional não se cura com mais gente ao redor, mas com mais verdade nos vínculos — inclusive no vínculo consigo.

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