top of page

Aos mestres, àqueles que acendem o lume

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • 15 de out.
  • 3 min de leitura

Coluna de Diego Franzen


Há ofícios que se perdem no tempo. Outros, são o próprio tempo.


Ensinar é um desses.


O professor não apenas transmite saber; ele transfigura o mundo. É o alquimista que, com palavras e gestos, transforma o chumbo da ignorância no ouro da compreensão. E o aluno, matéria bruta de curiosidade, ergue-se em chama viva diante do lume sagrado do conhecimento.


Recordo-me, como quem toca uma relíquia, da professora Célia, no Colégio Franciscano Santíssima Trindade, em Cruz Alta. Foi ela quem me revelou que as letras não são apenas sinais, mas portais. Com ela aprendi que ler é ver além das aparências, e que escrever é conversar com o invisível.


Na sequência, veio a professora Silvana Jung, cuja doçura cobria as incertezas da infância. Ela ensinava com voz serena e olhar maternal, e cada palavra sua era um sopro de paciência. Duas mestras de quem o tempo me afastou, mas a gratidão mantém por perto, como santas de uma devoção íntima, erguidas no altar da memória.


Foi naquele colégio franciscano que dei meus primeiros passos, e não falo apenas dos passos no chão. Foram passos na alma. Ali aprendi a ler, a escrever, a calcular e, sobretudo, a pensar. Ali começou a longa jornada do menino que, um dia, empunharia a pena como espada.


Anos depois, no Colégio Estadual Venâncio Aires, a literatura me tomou de assalto, como um amor inevitável. O professor Antônio Licht foi o arauto dessa revelação. Apresentou-me Augusto dos Anjos, que fala com os vermes e com os anjos, e Memórias Póstumas de Brás Cubas, onde a morte ensina o que a vida silencia. Desde então, compreendi que a literatura é o mais humano dos milagres: transforma dor em beleza, e finitude em eternidade.


Mas o primeiro mestre de todos foi meu pai, Wanderlan. Um homem que carregava o universo no pensamento e a serenidade no olhar. Sabia um pouco sobre tudo, e esse pouco, nele, valia mais que qualquer enciclopédia.


Com ele, aprendi o sagrado da curiosidade, o dever da cultura e o prazer de pensar. Meu pai foi e sempre será o magister primordial da minha existência.


Desde os cinco anos, outros mestres moldaram o corpo e o caráter: meu pai novamente, e também Badique, Morça, João Miguel, João Fernando, Paulo Faccio, Mestre Leonardo e o Grão-Mestre Roberto Nochang Carneiro. Foram eles que me ensinaram a disciplina e o silêncio, a força que não grita e a honra que não precisa ser dita. Descobri com eles que o combate mais árduo é sempre o travado dentro de si mesmo.


Nos corredores da Unicruz, encontrei outros mestres, os da palavra e da escuta. O jornalismo me apresentou colegas que se tornaram professores de vida. Cada conversa era uma lição, cada pauta uma peregrinação.


E vieram também os companheiros de Tempora, Aline, Paula e Rogério, fiéis companheiros de um mesmo ideal, o de manter viva a chama da escrita e do pensamento.


Hoje, depois de dezesseis livros publicados, uma agência de comunicação foda e um portal de notícias pautado na ética e na responsabilidade, depois de incontáveis travessias, sei que cada página escrita é fruto das mãos invisíveis de todos esses mestres.


Um escritor é uma colcha de vozes antigas costurada com gratidão.


Neste Dia dos Professores, ergo minha pena como quem ergue uma espada de luz. Tipo os jedi, sabe?


Porque ensinar é o mais puro ato de honra, é lutar contra as sombras da ignorância, não com armas, mas com ideias.


O professor é o guardião do lume sagrado, o sacerdote do saber, o jardineiro da eternidade.


E quando a noite da dúvida cai sobre o mundo, são eles, os mestres, que mantêm acesa a chama.


Pois ensinar é acender o sol dentro de outra alma.


Aos mestres, com carinho!


Diego Franzen é jornalista, escritor, autor de 16 livros. CEO da Tempora Comunicação e editor do Portal Pauta Serrana
Diego Franzen é jornalista, escritor, autor de 16 livros. CEO da Tempora Comunicação e editor do Portal Pauta Serrana

Comentários


Receba nossas atualizações

Obrigado pelo envio!

  • Facebook
  • Whatsapp
  • Instagram
Pauta Branco_edited.png

Rua Cândido Costa 65, sala 406 - Palazzo del Lavoro

Bento Gonçalves/RS - Brasil

bottom of page