Crônica de Esperança Azul
- temporacomunicacao
- 17 de out.
- 2 min de leitura
Coluna de Decimar Biagini
Senhoras e senhores, parem as rotativas! O VAR, essa entidade metafísica que costuma ver o grêmio apenas de longe, como quem avista uma estrela apagada, resolveu hoje enxergar o óbvio ululante: pênalti a favor do Tricolor! Um fato tão raro que o torcedor do Grêmio olhou para a tela e
pensou: “deve ser replay do jogo de 2018”.
Pois não era. Era justiça divina com tecnologia, coisa que nem sempre combina, mas hoje combinou. O árbitro foi ao monitor, olhou, olhou de novo, e pasmem, voltou atrás e apontou para a cal!Os anjos da arquibancada, incrédulos, pediram VAR do VAR, mas o gol saiu e o Morango do amor derreteu lá do outro lado da cidade.
Mas não foi só o pênalti. Foi o baile de Arthur, o maestro de passe breve e drible largo, que jogou bola como quem declama poesia cubista em meio ao caos tático. Dois gols, dois suspiros, dois “meu Deus, esse é o Arthur da seleção”. Enquanto isso, o centroavante, aquele que muita gente dizia não ser “para inglês ver” resolveu ser para gremista acreditar. Meteu gol, correu como quem busca redenção e ainda achou tempo pra dar entrevista com a humildade de quem carregou o piano e tocou a sinfonia.
O time, que andava parecendo novela mexicana de baixo orçamento, hoje foi ópera de Wagner com sotaque do Humaitá. Teve triangulação, teve bola no chão, teve suor com endereço. Até o torcedor mais cético, aquele que já tinha trocado o radinho por podcast de crochê, voltou a se emocionar.
E lá no fim, quando o juiz apitou, o Grêmio respirou aliviado, e o VAR, esse novo santo canonizado da Azenha e Incinerado no Humaitá, ganhou vela, reza e promessa. Porque, convenhamos, quando o VAR ajuda o Grêmio, é porque os céus realmente voltaram a se alinhar sobre a Arena, acho até que o delegado saudoso Paulo Santana deu um carteiraço lá na salinha e grudou igual Exu transmutado.
Enfim, hoje o futebol foi arte, e o Grêmio, Picasso: fragmentado em mil partes, mas cada pedaço formava um quadro de beleza e alívio, alívio duplo, em redenção, pois finalmente, a arena e o var são nossos.
Arthur maestro, centroavante operário, casa própria e VAR missionário.
Assim foi a noite em que o Tricolor voltou a sorrir e o torcedor, a acreditar que até no futebol, às vezes, Deus usa replay com chama azul.
Paz profunda!
Bora compartilhar aquele vídeo de crochê para a turminha que perdeu para o Mirassol...

Decimar da Silveira Biagini














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