Crônica Pós-Moderna & Lírica do Gelo, 24 de Junho de 2025
- temporacomunicacao
- 24 de jun.
- 2 min de leitura
Coluna de Decimar Biagini
Amanheceu hoje Cruz Alta com zero graus e a sensação térmica de menos três — sensação essa, aliás, que descreve bem não só o clima, astrologia desafiadora, mas o Congresso, o STF, e até a temperatura emocional da política nacional. Enquanto a geada bordava o pasto e os telhados da nossa velha cidade de Érico, Brasília se enroscava no próprio nó de incoerências.
POETRIX POLAR
Congresso parado,
só o vento anda rápido
gelam os salários.
O Rio Grande do Sul
Guaíba avança,
vento gelado e água
Porto afunda em mágoa.
Na capital dos pampas, o Guaíba transborda, o vento açoita, e a Mauá vira piscina de água turva, reflexo líquido do país atolado. A MetSul alerta sobre a onda polar, mas ninguém alerta sobre a onda de mediocridade política que nos afoga dia a dia.
O STF e a acareação
General e Cid,
versões em choque frio
tipo cão e neocid
Alexandre de Moraes, o xerife da toga beirando reaction do Mestre das Cavernas, preside a acareação entre Braga Netto e Mauro Cid. Um com cara de "não sei de nada", outro chateado com a escolha de um jovem advogado que mais parece promotor lendo chat gpt sem dar linha de comando. A Justiça segue seu teatro, portas fechadas, imprensa do lado de fora, e o povo? Esse assiste a novela repetida do Brasil profundo.
Para quem não gosta de texto longo e prefere shorts e TikTok, fiz obviamente mais um poetrix, para o bom entendedor da comédia política atual:
"Congresso engessa,
deputados se multiplicam
quem paga? O povaréu."
Com 76% da população CONTRA, os senhores parlamentares querem aumentar o número de deputados. E como bons raposos, usam a matemática da esperteza: mais cadeiras, mais verbas, menos vergonha.
Astrocrônica Cruz-altense (sim, com a tal da reforma nosso termo antigo ganhou hífen, nem mesmo uma academia de letras aqui local percebeu a mudança, continua com nome anterior)
E se você achou que o céu podia trazer esperança, os astros hoje, a tal da Márcia sensitiva, manda reorganizar emoções. Ora, irmã Márcia, reorganizar emoções nesse Brasil é como tentar dobrar vento minuano com colher de pau.
Áries se recolhe — prudente; Touro fala demais — perigoso; Gêmeos valoriza o próprio umbigo — típico; Câncer tenta crescer — boa sorte; Leão confia nos amigos — santa ingenuidade; Virgem duvida da própria carreira — normal; Libra questiona tudo — a dúvida é certa; Escorpião afoga mágoas — literal; Sagitário sonha com amor — e acorda na rua gelada; Capricórnio organiza — mas o país desorganiza; Aquário festeja — cuidado com o frio; Peixes nutre o lar — talvez o único sensato.
Cruz Alta amanheceu branca, gélida, mas não menos poética. Nas curvas dos velhos trilhos, carregados de vagões que cortam os assodados emaranhados de asfalto esburacado pela última chuva e nos túneis dimensionais conspiratórios da vetusta esquina democrática, o frio junta gente, a política separa, e a espiritualidade tenta colar os cacos. Por aqui, aprendemos que a vida é uma estância onde o mate esquenta mais que o governo, e o humor, ah… o humor é o casaco invisível que veste a alma contra o inverno da estupidez.















Brilhantemente mais uma crônica com poesia: palavras que falam além! Meus mais efusivos parabéns!