Dependência emocional: quando o outro vira abrigo, prisão e identidade
- temporacomunicacao
- há 6 horas
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Coluna de Maia Boaro

A dependência emocional não escolhe gênero, idade ou estado civil.
Ela se instala de forma silenciosa, disfarçada de amor, cuidado ou necessidade.
E quando percebemos, o outro já não é apenas alguém que amamos — é quem nos sustenta emocionalmente.
O dependente emocional não quer controlar o outro.
Quer não perder.
Quer não desabar.
Quer não voltar a sentir o vazio que aprendeu, em algum momento da vida, que precisava ser evitado a qualquer custo.
Aos poucos, o próprio desejo vai sendo substituído pela expectativa alheia.
O medo de desagradar se torna maior do que a vontade de ser autêntico.
E a pergunta deixa de ser “o que eu sinto?” para se tornar “o que preciso fazer para não ser abandonado?”
Na dependência emocional, o amor não é escolha — é necessidade.
Não é encontro — é apego.
Não é liberdade — é sobrevivência.
Muitas dessas relações se mantêm não porque são boas, mas porque são familiares.
Repetem vínculos antigos, onde o afeto era instável, condicional ou escasso.
O psiquismo reconhece o sofrimento, mas o corpo reconhece o padrão.
Por isso, sair não é simples.
Não se abandona apenas uma pessoa — abandona-se uma estrutura interna que, por muito tempo, foi o único modo possível de existir em relação ao outro.
A dependência emocional não é falta de amor-próprio.
É excesso de adaptação.
É ter aprendido cedo demais que, para ser amado, era preciso se moldar, ceder, silenciar.
Romper com esse padrão exige mais do que força de vontade.
Exige consciência, elaboração e cuidado.
Exige reconstruir o próprio lugar no mundo sem que o outro seja o eixo de sustentação.
Relacionamentos saudáveis não pedem que você se diminua para permanecer.
Não exigem vigilância constante, medo de perda ou abandono de si.
Eles acontecem quando duas pessoas se encontram inteiras — não quando uma vive para sustentar a outra.
A pergunta que fica não é “por que eu amo assim?”,
mas “em que momento amar passou a ser a única forma que encontrei de não me perder?”















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