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Editorial | A responsabilidade que nos cabe na cobertura de tragédias

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • 23 de jul.
  • 2 min de leitura

Num tempo em que a informação circula com velocidade e alcance jamais vistos, o jornalismo responsável precisa agir com consciência não apenas sobre o que deve publicar, mas também sobre o que deve preservar em silêncio.

Entre os temas que exigem máxima cautela está a cobertura de casos envolvendo possíveis atos de suicídio. A orientação dos principais organismos internacionais de saúde, como a Organização Mundial da Saúde, e de entidades jornalísticas sérias é clara. A divulgação desse tipo de ocorrência, quando não inserida em um contexto de orientação e prevenção, pode causar mais dano do que benefício.


Um dos fundamentos dessa postura é o que se convencionou chamar de efeito Werther, um fenômeno estudado pela psiquiatria e pela comunicação que aponta a possibilidade de que a exposição de suicídios, especialmente quando feita de forma sensacionalista ou repetitiva, leve à repetição de atos semelhantes por parte de pessoas vulneráveis.


O nome do efeito remonta ao romance Os Sofrimentos do Jovem Werther, publicado em 1774 por Johann Wolfgang von Goethe. Na obra, o protagonista, atormentado por um amor impossível e por um profundo desalento existencial, tira a própria vida. O impacto do livro foi tão intenso na Europa do século XVIII que autoridades de alguns países chegaram a proibir sua circulação, após uma onda de suicídios supostamente inspirados na figura melancólica de Werther.


Embora os tempos sejam outros, o risco permanece real. E por isso, veículos comprometidos com o bem-estar coletivo devem escolher com firmeza não apenas o que noticiar, mas também quando se abster. O silêncio, nesses casos, não significa omissão. É um gesto de respeito à vida, à dor de famílias enlutadas e à saúde mental da sociedade.


Como veículo regional, reforçamos nosso compromisso com um jornalismo que valoriza a informação responsável, que sabe escutar o que a comunidade precisa e o que, em certos momentos, ela não deve ser exposta a saber.

Seguiremos atentos aos temas que tocam a todos nós. Mas sempre com empatia, sobriedade e ética.

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