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Em meio a boatos de exoneração, Camerini anuncia foco nas obras em andamento e articulações para as eleições ganham força

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    temporacomunicacao
  • há 1 dia
  • 5 min de leitura

Os bastidores políticos da Serra Gaúcha foram movimentados nas últimas horas, por intensos boatos sobre a suposta exoneração do coordenador regional de obras do Estado, Moacir Camerini, que assumiu a 16º CROP em 1º de abril. Em contato direto com a reportagem, o coordenador negou de forma contundente ter recebido qualquer notificação oficial do Palácio Piratini ou ouvido rumores internos sobre o encerramento de sua passagem pelo cargo.


Para contrapor os boatos, Camerini destaca que estão em andamento uma série de obras de reformas em escolas e a construção da nova Central de Delegacias de Bento Gonçalves. O coordenador diz que se mantém firme nesta demanda e que a nova estrutura policial está com 85% das obras concluídas, com previsão de entrega para o mês de setembro deste ano.", afirmou.


Além disso, já estão em processo de início reformas e melhorias em sete escolas do município, abrangendo as instituições Anselmo Luigi Piccoli, Mestre Santa Barbara, Cecília Meireles, Landell de Moura, Egídio Fabris, Dona Isabel e Nossa Senhora da Salete. "Foi construída uma força-tarefa com o Governo do Estado para agilizar as melhorias escolares, com algumas frentes de trabalho iniciando já nesta semana, além de outras frentes de trabalho em andamento e iniciando em vários municípios da regional", destacou o coordenador.


O Pauta Serrana chegou a anunciar a possível saída de Camerini ainda na segunda-feira, com base nos documentos que teve acesso. Porém, não houve confirmação do Diário Oficial e, portanto, Camerini segue no cargo e cumprindo expediente e executando suas funções normalmente.


DENÚNCIAS DA CÂMARA DE BENTO PEDEM A EXONERAÇÃO DE CAMERINI


O clima de incerteza que alimentou os rumores recentes ganhou força após vir a público um ofício enviado pela Câmara de Vereadores de Bento Gonçalves à Casa Civil do Estado. O presidente do Legislativo municipal, Anderson Zanella, respondeu a um questionamento do governo estadual (enviado por meio do ofício CC/SJ número 21 PROA número 26080100015530) para apurar a real situação jurídica do atual chefe do setor de obras, apontando o que classificou formalmente como um "erro na nomeação".


Zanella, que no passado foi o autor do pedido de impugnação de candidatura do ex-parlamentar e integrou ativamente as investigações na Casa, detalhou no documento que Camerini teve o mandato cassado pelo plenário por quebra de decoro parlamentar, um desfecho fundamentado no Decreto-Lei número 201/1967.


A perda do cargo legislativo foi o ápice de um dos episódios mais polêmicos da história política da Serra Gaúcha: a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Fake News, popularmente apelidada nos bastidores de a "CPI dos Memes".


O relatório final da comissão expôs um esquema no qual o então vereador utilizava a estrutura física de seu próprio gabinete, equipamentos públicos da Câmara e o trabalho funcional de seus assessores comissionados para criar, gerenciar e alimentar perfis falsos nas redes sociais.


A investigação apontou que a rede era usada de forma coordenada para produzir e disseminar montagens, vídeos, memes depreciativos e comentários caluniosos com o objetivo explícito de difamar e atacar a honra de autoridades locais, membros do Executivo e seus próprios colegas de parlamento.


O caso ganhou repercussão jurídica nacional por ser considerado um dos primeiros registros no país de cassação de mandato motivada diretamente pela disseminação estruturada de notícias falsas no ambiente digital.


O julgamento político em sessão extraordinária na Câmara culminou em um placar contundente de 12 votos a favor da cassação, 2 votos contra e uma abstenção.


O documento encaminhado pela Câmara à Casa Civil traz ainda os desdobramentos do processo judicial número 5001329-87.2020.8.21.0005, movido pelo ex-vereador na tentativa de anular os efeitos da decisão do Legislativo. Embora Camerini tenha chegado a obter uma liminar provisória para reassumir a cadeira na época sob a alegação de cerceamento de defesa, a certidão atualizada apresentada por Zanella destaca que a sentença final denegou a segurança e revogou qualquer medida cautelar anterior. O Judiciário não apenas reconheceu a total regularidade, legalidade e rito formal do procedimento de cassação conduzido pela Câmara de Bento Gonçalves, como também condenou o impetrante por litigância de má-fé ao tentar reverter o processo. A divulgação desse histórico detalhado municiou grupos de oposição na região, que agora pressionam o Palácio Piratini alegando uma grave falha de compliance e checagem de antecedentes na escolha de cargos de primeiro escalão.


POLÍTICA REGIONAL


Para além do debate legal, a disputa pelo controle da estrutura regional de obras reflete a complexa engrenagem da expansão do PSD no Rio Grande do Sul. A nomeação original sacramentou a transferência de espaços governamentais do PSDB para o PSD, uma mudança estratégica desenhada após a migração do governador Eduardo Leite para a sigla comandada nacionalmente por Gilberto Kassab.


Camerini entrou na vaga em substituição a Heitor André Tartaro, indicado ligado aos tucanos e atual secretário municipal de Administração. A substituição ocorreu no contexto em que Leite, que almejava uma candidatura à Presidência da República pelo PSD, teve os planos alterados pela Executiva nacional, que sinalizou preferência pelo nome do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Diante disso, Leite optou por não renunciar ao cargo no prazo de desincompatibilização, encerrado em 4 de abril de 2026, abrindo mão de disputar o Senado para focar na unificação do partido de dentro do Palácio Piratini até o fim do mandato.


Dessa forma, a ocupação de postos estratégicos como a Coordenadoria de Obras serve como laboratório para consolidar essa nova base de poder e demarcar uma ruptura definitiva com o bloco composto por tucanos e Progressistas na região.


O PSD local tenta recuperar espaço após os reveses sofridos nas eleições de 2024, quando a chapa majoritária de Paulo Caleffi e Rafael Pasqualotto obteve trinta por cento dos votos e acabou superada pela reeleição de Diogo Siqueira, além de, pouco antes das eleições, o partido sofrer com a desfiliação de seu único vereador, Rafael Fantin, o Dentinho, que migrou para o Novo e deixou a legenda sem representação na Câmara de Bento Gonçalves.


Diante do cenário de reconstrução da executiva provisória, Camerini confirmou que é pré-candidato a deputado estadual pelo PSD, consolidando seu nome para a disputa rumo à Assembleia Legislativa. Em paralelo, o empresário e ex-deputado federal Paulo Caleffi já foi formalmente convidado a disputar uma cadeira na Câmara Federal, adotando por hora uma postura cautelosa.


Esse tensionamento acelera as articulações para as próximas eleições em toda a microrregião. O tabuleiro eleitoral em Bento Gonçalves está muito movimentado. Vale lembrar que tivemos a renúncia do ex-prefeito Diogo Siqueira, que deixou o cargo municipal para focar em sua candidatura a deputado federal, migrando do PSDB para o PL.


Na mesma linha de frente, o partido Progressistas aposta suas fichas na reeleição do deputado Guilherme Pasin na Assembleia Legislativa.


Correndo por fora na reorganização das forças partidárias, o MDB fará o lançamento de Adenir Dalé, ex-prefeito de Monte Belo do Sul por quatro mandatos, como candidato ao Parlamento, em dobradinha com a vereadora suplente Bruna Marin, que fez uma boa votação nas eleições 2024, quando concorreu a vereadora e ficou como 1ª suplente.


Pelo PDT, Cerará Nobre concorre a deputado federal


Pelo NOVO, o candidato a deputado federal é Milton Milan.

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