top of page

Eram os Deuses Astronautas?

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • há 3 horas
  • 4 min de leitura

Coluna de Diego Franzen


Diego Franzen é jornalista, escritor autor de 17 livros. CEO da Tempora Comunicação e Editor do Portal Pauta Serrana
Diego Franzen é jornalista, escritor autor de 17 livros. CEO da Tempora Comunicação e Editor do Portal Pauta Serrana

Li Eram os Deuses Astronautas na adolescência, quando eu era um adolescente roqueiro ansioso por desrupturas e o mistério tinha cheiro de papel antigo. A capa era verde, de um verde quase radioativo, e havia nela o desenho de um astronauta que parecia deslocado no tempo, como se tivesse errado de século ao pousar ali. Eu segurava aquele livro como quem segura um artefato proibido. Não era só leitura. Era iniciação.


Soube da morte de Erich von Däniken, noticiada no último dia 10. E confesso que senti algo parecido com quando se fecha um livro marcante sabendo que nunca mais se voltará a ele com os mesmos olhos. Não porque tudo o que ele escreveu fosse verdade, mas porque tudo o que ele ousou perguntar ainda é necessário.


Däniken não nos deu respostas definitivas. Deu algo muito mais perigoso. Dúvidas.


Naquele tempo, eu lia deitado, com a cabeça apoiada no travesseiro,, e levantava os olhos do livro para o teto como se esperasse ver uma nave passando lentamente, silenciosa, acima da lâmpada.


Ele falava de deuses antigos, de desenhos impossíveis, de pistas deixadas em pedra e mito. E, sobretudo, fazia uma coisa imperdoável para os orgulhosos. Colocava o ser humano em seu devido tamanho. O intrigante Mapa de Pires Reis. Um registro cartográfico desenhado no século XVI, intriga até hoje por retratar com precisão desconcertante terras então oficialmente desconhecidas, como se o autor tivesse visto tudo lá de cima, do espaço.


Hoje, seguimos acreditando que somos o ápice da criação, a obra-prima, o ponto final do universo. É uma presunção curiosa para uma espécie que ainda não aprendeu a conviver consigo mesma. Basta olhar o noticiário, ou o espelho.


A Equação de Drake surge como um antídoto elegante contra essa vaidade. Uma fórmula simples, quase humilde, que tenta estimar quantas civilizações inteligentes podem existir na nossa galáxia. Número de estrelas, planetas, chances de vida, chances de inteligência, chances de tecnologia. Não é uma equação que afirma. É uma equação que pergunta. E só isso já a torna revolucionária. Porque estima dezenas de milhares de civilizações capazes de se comunicar, só na Via Lactea. E não custa lembrar que estamos em uma rocha que está orbitando uma estrela de 5ª grandeza no subúrbio da Galáxia! Uma das bilhões de Galáxias existentes. E ainda estamos aqui, egoístas e antropocêntricos, achando que tudo isso existe por nós e pra nós!


O problema não é a matemática. É o ego. Porque aceitar a possibilidade de outras inteligências é aceitar que talvez não sejamos o centro do palco. Talvez sejamos apenas mais um ato.


Neste mês, o caso Varginha completa 30 anos. Durante décadas foi tratado como piada, fantasia provinciana, folclore de interior. Mas conheço duas pessoas que estiveram lá. Uma delas, militar. Gente que não ganha nada inventando história. E o que ouvi não combina com riso fácil. Há episódios que resistem ao deboche justamente porque não se explicam com ele.


O mesmo vale para o caso de Colares, no Pará, talvez o episódio mais perturbador já registrado no Brasil. Uma sucessão de eventos investigados oficialmente pela Força Aérea Brasileira no fim da década de 1970, durante a chamada Operação Prato. Moradores relatavam luzes que desciam do céu, perseguiam pessoas, entravam nas casas, deixavam marcas no corpo, queimaduras, perfurações e um medo coletivo que não se dissipa com o tempo. Houve atendimentos médicos, prontuários, fotografias, depoimentos formais e relatórios militares. O Estado brasileiro deslocou homens, recursos e silêncio para tentar entender o que acontecia ali. Décadas depois, ainda chamamos tudo isso de “caso ufológico”, talvez por falta de coragem de chamá-lo simplesmente de inexplicado.


E aqui preciso dizer algo importante. Crer na pluralidade dos mundos habitados não diminui Deus. Ao contrário. Eu sigo acreditando em um princípio inteligente que criou o universo. Mas reduzir essa inteligência a um único planeta, a uma única espécie, a um único endereço cósmico me parece pouco ambicioso para algo que chamamos de infinito.


A pluralidade de mundos habitados não é apenas uma questão de lógica estatística. É, para mim, uma demonstração de grandeza. Um sinal de poder criativo. Um Deus que cria vida apenas uma vez seria econômico demais. Um Deus que espalha consciência pelo cosmos é, esse sim, digno do nome.


Däniken me ensinou isso sem jamais dizer.


Que a pergunta certa vale mais do que a resposta confortável.


Que olhar para o céu é um exercício de humildade.


Aquele menino que lia um livro de capa verde ainda existe aqui. Um pouco mais cético, talvez. Porque se inventa muita bobagem. E eu sempre busco a explicação lógica, materialista e racional antes de qualquer coisa. E só depois disso parto pra crença.


Estou um pouco mais cansado. Mas ainda convencido de que o universo é grande demais para caber na nossa vaidade. E de que Deus, se existe, )e creio e acima de tudo sinto que ele exista), certamente, não pensa pequeno.


Comentários


Receba nossas atualizações

Obrigado pelo envio!

  • Facebook
  • Whatsapp
  • Instagram
Pauta Branco_edited.png

Rua Cândido Costa 65, sala 406 - Palazzo del Lavoro

Bento Gonçalves/RS - Brasil

bottom of page