top of page

Janeiro de 2026: Metas possíveis para vidas reais

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura
Franciele Sassi, Mestre em Psicologia Clínica, Especialista em Lutos, Perdas e Suicídio, Especialista em Apego e Vínculos, Intervenções em Emergências Pós-Desastre e Colunista do Pauta Serrana.
Franciele Sassi, Mestre em Psicologia Clínica, Especialista em Lutos, Perdas e Suicídio, Especialista em Apego e Vínculos, Intervenções em Emergências Pós-Desastre e Colunista do Pauta Serrana.

No início de um novo ano, instala-se quase que silenciosamente a sensação de que é preciso recomeçar. Como se a virada do calendário carregasse a obrigação de ser alguém melhor, mais produtivo, mais realizado. É nesse cenário que as metas surgem: listas, promessas, planos que simbolizam esperança, desejo de mudança e a tentativa de dar sentido ao tempo que se abre à frente. Quando bem elaboradas, as metas podem funcionar como bússolas internas, oferecendo direção, propósito e motivação para seguir adiante.

No entanto, esse mesmo movimento pode se transformar em fonte de sofrimento quando as metas deixam de ser instrumentos de orientação e passam a operar como medidas de valor pessoal. Muitas vezes, elas são construídas a partir de ideais rígidos, comparações sociais ou de uma autocobrança que desconsidera limites emocionais, contextos de vida e a imprevisibilidade do cotidiano. Metas excessivas, genéricas ou inalcançáveis criam um cenário onde o fracasso parece inevitável e, quando ele acontece, recai não sobre a meta, mas sobre a pessoa.

Nesse ponto, instala-se um sentimento profundo de frustração, impotência e inadequação. A narrativa interna passa a ser marcada por “eu não consigo”, “não sou capaz”, “algo está errado comigo”. O que muitas vezes não é percebido é que o problema raramente está na capacidade do indivíduo, mas na forma como o objetivo foi formulado. Metas construídas sob excesso de exigência tendem a ignorar a complexidade humana, tratando o sujeito como uma máquina de desempenho contínuo, quando, na realidade, somos atravessados por cansaços, perdas, mudanças e necessidades que não cabem em listas.

Refletir sobre metas, portanto, exige também refletir sobre o modo como nos tratamos. Estipular objetivos possíveis é um exercício de respeito à própria história, ao momento presente e aos próprios limites. Metas mais saudáveis são aquelas que podem ser divididas em pequenas etapas, que permitem pausas, ajustes e revisões ao longo do caminho. Avançar aos poucos não é sinal de consciência. O crescimento real costuma acontecer de forma gradual e consistente ao longo do tempo.

Outro ponto essencial é aprender a valorizar o que foi conquistado. Em uma cultura que enfatiza o que falta, reconhecer o que já foi feito torna-se um ato de resistência e autocuidado. Celebrar pequenas vitórias, reconhecer esforços e honrar processos ajuda a construir uma relação mais compassiva consigo mesmo. Nem tudo o que foi planejado precisa ser concluído para que o percurso tenha sido válido. Além disso, é importante lembrar que metas não são contratos imutáveis. A vida muda, as prioridades se transformam, e o que fazia sentido em janeiro pode não fazer mais em junho, por exemplo. Ajustar planos, mudar rotas ou até abandonar determinadas metas não significa fracasso, mas maturidade emocional. Rigidez excessiva tende a adoecer; flexibilidade permite crescimento.

Metas podem existir como referências, não devem existir como prisões. Elas devem servir como apoio, não como fonte constante de cobrança e culpa. Um novo ano não precisa ser vivido sob a pressão de “dar certo”, mas pode ser encarado como um espaço de construção possível, onde errar, revisar, descansar e recomeçar fazem parte do processo. Cuidar da forma como se sonha e se planeja é, também, uma forma profunda de cuidado consigo mesmo e de evolução.

Comentários


Receba nossas atualizações

Obrigado pelo envio!

  • Facebook
  • Whatsapp
  • Instagram
Pauta Serrana 26.png

Rua Cândido Costa 65, sala 406 - Palazzo del Lavoro

Bento Gonçalves/RS - Brasil

bottom of page