Joelhos ao chão, só diante de Deus
- temporacomunicacao
- 18 de ago.
- 2 min de leitura
Coluna de Diego Franzen
Há quem diga que o sonho é um luxo da juventude. Uma extravagância da alma, própria dos que ainda não aprenderam que a realidade não costuma ser gentil com as quimeras.
Bobagem.
Sonhar é um ato de coragem.
E mais que isso: um dever moral de quem insiste em não se tornar cínico.
Mas, ah, como é difícil. Como é árduo crer, manter-se altivo e íntegro, enquanto a vida se ocupa em mostrar, com uma certa crueldade quase didática, que o mundo não se curva à pureza dos ideais. Que, às vezes, é preciso ver um sonho minguar lentamente, como uma vela que se apaga em câmara lenta, e ainda assim, seguir.
Desistir não é, necessariamente, um ato de fraqueza. Pode ser, inclusive, uma expressão de inteligência. Um alquimista experiente sabe que há metais que não se transmutam, por mais que o forno esteja quente, por mais que o intento seja puro.
E nem por isso abandona a forja.
Manter a dignidade, sim, é a verdadeira obra-prima.
É essa a pedra filosofal dos dias modernos: atravessar o mundo sem se deixar corromper por ele.
Viver sem ajoelhar-se diante de homens, por mais que estes vistam togas, uniformes ou ternos. Dobrar os joelhos apenas diante de Deus, jamais diante da arrogância ou da vileza.
Há momentos em que se faz algo tão grandioso, tão reto, tão profundamente generoso, que a única resposta possível é a ingratidão. É um paradoxo melancólico, mas verdadeiro: há gestos tão nobres que só podem ser respondidos com o silêncio ou com a traição. Como se o mundo não soubesse lidar com a honra.
E o que se faz, então?
Segue-se.
Segue-se com a mesma espada embainhada pela honra, com o mesmo elmo forjado pela palavra empenhada, com a mesma capa de dignidade que não se rasga, ainda que o tempo tente esgarçá-la. Porque o verdadeiro cavaleiro não é um donzel protetor de castelos, mas ao homem comum que se recusa a se curvar ao cinismo.
Esse cavaleiro cumpre com a sua palavra, mesmo que ninguém esteja olhando.
Fazer o bem, ainda que sem plateia. Porque o cínico adora plateia. Ao honrado, é indiferente, pois ele agirá de igual modo.
Cumprir promessas, ainda que o mundo já tenha virado as costas.
Ser correto, mesmo que a correção não renda aplausos, e sim desprezo.
Porque há uma espécie de glória que não estampa medalhas. Uma espécie de vitória que não dá entrevista. Uma espécie de paz que só se alcança quando se deita a cabeça no travesseiro com a certeza de que não se traiu a si mesmo.
A isso chamamos honra.
E ela, meu caro, minha cara, vale mais do que qualquer sonho.
E no fim, é disso que se trata: nada, absolutamente nada, é mais valioso do que ser você mesmo. Ser inteiro. Ser fiel à sua consciência, aos seus princípios, à sua essência. Porque tudo o que se conquista sem verdade é castelo de areia. E tudo o que se perde mantendo a própria integridade... já é, por si, uma vitória.















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