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Maldade tem prazo de validade

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    temporacomunicacao
  • 27 de mar.
  • 3 min de leitura

COLUNA DE DIEGO FRANZEN


Diego Franzen é jornalista, escritor, autor de 17 livros. CEO da Tempora Comunicação e Editor do Portal Pauta Serrana
Diego Franzen é jornalista, escritor, autor de 17 livros. CEO da Tempora Comunicação e Editor do Portal Pauta Serrana


A frase título desta coluna me foi dita por um grande amigo pessoal, na tarde desta sexta-feira. E ela vela um arcano, uma verdade inexorável e rendeu profunda reflexão a este que vos escreve.


O Lado Sombrio não perpetua. Normalmente não precisamos fazer nada. Cronos, o tempo, cuida de tudo.


A vida é um churrasco, onde alguns chegam com a carne e outros apenas com o espeto. Mas a verdade, nua, crua e devidamente temperada com sal grosso, é que o universo não é um buffet livre de impunidades para parasitas.


Vivemos mergulhados nessa ilusão patética de que o malandro é o ápice da evolução humana, o suprassumo da esperteza, enquanto o sujeito probo não passa de um figurante desavisado na peça de teatro de algum deus sádico.


Bobagem pura.


É falta de leitura, é falta de entender que a física de Newton é muito mais vingativa do que qualquer dogma religioso ou mesmo convenção social.


A maldade tem prazo de validade, porque o cosmos possui uma preguiça aristocrática de carregar pesos inúteis.


É a tal entropia do caráter.


O indivíduo que gasta seus dias destilando o veneno da inveja, esse câncer da alma que corrói por dentro antes de atingir o alvo, ou sabotando o vizinho por puro esporte, acredita piamente que está jogando xadrez enquanto o resto do mundo joga damas.


Pobre coitado.


Ele esquece que, neste caso, o tabuleiro é redondo, o chão é liso e a gravidade é uma força que não aceita suborno. Sim, a terra não é plana. A gravidade existe.


A vida é um sopro que exige potência e, quem gasta essa potência diminuindo o outro, está apenas assinando a própria nota promissória com o destino, com juros que fariam um agiota chorar de inveja.


O universo não é democrático com a estupidez moral. Ele é implacável, cínico e tem uma memória de elefante.


Nada passa sem recibo nesta existência. A lei de ação e reação não é um conselho de tia-avó para te fazer dormir tranquilo, mas um decreto constitucional da existência, irrevogável e sem direito a recurso.


Você pode até enganar o síndico, o juiz de primeira instância, alguns estúpidos que ouvem suas bobagens e são manipulados por você. Pode enganar ou a sua própria consciência anestesiada por doses cavalares de egocentrismo. Mas não engana a geometria da vida.


O carma não é um místico de túnica e incenso esperando para te punir com um raio cinematográfico, mas sim o eco das suas próprias botas batendo no asfalto da história, voltando para te chutar o traseiro no momento em que você mais precisar de equilíbrio. Se você planta espinhos com a dedicação de um botânico psicopata, não adianta rezar para colher algodão-doce, porque a natureza não tem o menor senso de humor para as suas conveniências de última hora.


O deboche supremo da realidade é que o maldoso sempre se acha o arquiteto de um império, enquanto, na verdade, ele é apenas o pedreiro da própria ruína, empilhando tijolos de mágoa e cimento de desonestidade.


É uma questão de tempo, esse senhor absoluto que não se importa com os seus prazos, até que a estrutura colapse sobre a sua cabeça vazia. A justiça divina se manifesta na biologia, no isolamento de quem não consegue sustentar um olhar por mais de dez segundos e na alma que vai ficando pequena, murcha e feia de tanto tentar roubar o brilho alheio.


No final das contas, a conta chega com correção monetária existencial e um carimbo de "pago com o próprio isolamento". Quem vive de prejudicar os outros acaba descobrindo, tarde demais, que o inferno não são os outros, mas o espelho que reflete um deserto onde não cresce nem erva-daninha.

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