Maldade tem prazo de validade
- temporacomunicacao
- 27 de mar.
- 3 min de leitura
COLUNA DE DIEGO FRANZEN

A frase título desta coluna me foi dita por um grande amigo pessoal, na tarde desta sexta-feira. E ela vela um arcano, uma verdade inexorável e rendeu profunda reflexão a este que vos escreve.
O Lado Sombrio não perpetua. Normalmente não precisamos fazer nada. Cronos, o tempo, cuida de tudo.
A vida é um churrasco, onde alguns chegam com a carne e outros apenas com o espeto. Mas a verdade, nua, crua e devidamente temperada com sal grosso, é que o universo não é um buffet livre de impunidades para parasitas.
Vivemos mergulhados nessa ilusão patética de que o malandro é o ápice da evolução humana, o suprassumo da esperteza, enquanto o sujeito probo não passa de um figurante desavisado na peça de teatro de algum deus sádico.
Bobagem pura.
É falta de leitura, é falta de entender que a física de Newton é muito mais vingativa do que qualquer dogma religioso ou mesmo convenção social.
A maldade tem prazo de validade, porque o cosmos possui uma preguiça aristocrática de carregar pesos inúteis.
É a tal entropia do caráter.
O indivíduo que gasta seus dias destilando o veneno da inveja, esse câncer da alma que corrói por dentro antes de atingir o alvo, ou sabotando o vizinho por puro esporte, acredita piamente que está jogando xadrez enquanto o resto do mundo joga damas.
Pobre coitado.
Ele esquece que, neste caso, o tabuleiro é redondo, o chão é liso e a gravidade é uma força que não aceita suborno. Sim, a terra não é plana. A gravidade existe.
A vida é um sopro que exige potência e, quem gasta essa potência diminuindo o outro, está apenas assinando a própria nota promissória com o destino, com juros que fariam um agiota chorar de inveja.
O universo não é democrático com a estupidez moral. Ele é implacável, cínico e tem uma memória de elefante.
Nada passa sem recibo nesta existência. A lei de ação e reação não é um conselho de tia-avó para te fazer dormir tranquilo, mas um decreto constitucional da existência, irrevogável e sem direito a recurso.
Você pode até enganar o síndico, o juiz de primeira instância, alguns estúpidos que ouvem suas bobagens e são manipulados por você. Pode enganar ou a sua própria consciência anestesiada por doses cavalares de egocentrismo. Mas não engana a geometria da vida.
O carma não é um místico de túnica e incenso esperando para te punir com um raio cinematográfico, mas sim o eco das suas próprias botas batendo no asfalto da história, voltando para te chutar o traseiro no momento em que você mais precisar de equilíbrio. Se você planta espinhos com a dedicação de um botânico psicopata, não adianta rezar para colher algodão-doce, porque a natureza não tem o menor senso de humor para as suas conveniências de última hora.
O deboche supremo da realidade é que o maldoso sempre se acha o arquiteto de um império, enquanto, na verdade, ele é apenas o pedreiro da própria ruína, empilhando tijolos de mágoa e cimento de desonestidade.
É uma questão de tempo, esse senhor absoluto que não se importa com os seus prazos, até que a estrutura colapse sobre a sua cabeça vazia. A justiça divina se manifesta na biologia, no isolamento de quem não consegue sustentar um olhar por mais de dez segundos e na alma que vai ficando pequena, murcha e feia de tanto tentar roubar o brilho alheio.
No final das contas, a conta chega com correção monetária existencial e um carimbo de "pago com o próprio isolamento". Quem vive de prejudicar os outros acaba descobrindo, tarde demais, que o inferno não são os outros, mas o espelho que reflete um deserto onde não cresce nem erva-daninha.













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