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O ano começou. E agora?

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    temporacomunicacao
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura

Coluna de Maia Boaro


Maia Boaro é psicopedagoga, psicoterapeuta e psicanalista, com especialização em Término , Dependência e Narcisismo. Especialista em Neuropsicologia e problemas de aprendizagem; Educação especial infantil e TEA; Terapia cognitiva comportamental; Especialização em terapia em aba; Terapia analítica do comportamento infantil; Especialização em alfabetização e letramento.
Maia Boaro é psicopedagoga, psicoterapeuta e psicanalista, com especialização em Término , Dependência e Narcisismo. Especialista em Neuropsicologia e problemas de aprendizagem; Educação especial infantil e TEA; Terapia cognitiva comportamental; Especialização em terapia em aba; Terapia analítica do comportamento infantil; Especialização em alfabetização e letramento.

O início de um novo ano costuma ser tratado como um marco de renovação. Espera-se que a virada do calendário traga alívio, clareza e entusiasmo. No entanto, para muitas pessoas, o que surge após as festas é um sentimento difícil de nomear: um vazio discreto, acompanhado da percepção de que nada mudou por dentro.

O problema não está em o ano começar sem euforia, mas na exigência social de que ele comece assim. Existe uma pressão silenciosa para demonstrar gratidão, disposição e esperança, mesmo quando o corpo e a mente pedem pausa. Quando essa expectativa não é atendida, o sofrimento ganha contornos de culpa.

O pós–fim de ano expõe uma verdade pouco confortável: não há reinício possível sem elaboração. As perdas não se dissolvem com fogos de artifício, os conflitos não se resolvem por decreto e os cansaços acumulados não desaparecem com frases motivacionais. O psiquismo precisa de tempo para assimilar o que foi vivido — e ignorar isso tem um custo emocional alto.

Muitas vezes, o mal-estar que emerge agora não é sinal de fraqueza, mas de lucidez. Ele aponta para o esgotamento de narrativas que já não se sustentam: relações mantidas por hábito, metas impostas sem desejo, versões de si que se tornaram pesadas demais para continuar carregando.

Talvez o verdadeiro desafio deste início de ano não seja “fazer diferente”, mas parar de repetir. Parar de silenciar desconfortos em nome da adaptação. Parar de confundir resistência com força. Parar de acreditar que seguir em frente exige ignorar o que ficou para trás.

O ano começou. Mas o que em você ainda precisa terminar?

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