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O Pai do Sul

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • 27 de out.
  • 2 min de leitura

Coluna e Charge de Decimar Biagini


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Ora, meus amigos, o que vimos hoje na Arena não foi só um 3 a 1.

Foi uma aula de paternidade esportiva.

 

Carlos Vinícius, esse operário da área, de cara limpa e olhar de quem já pegou chuva e poeira — fez três gols e saiu de campo não como herói vaidoso, mas como um pai orgulhoso, perguntou ao Mano na saída como foi sua atuação (4 chutes, 3 gols), o técnico com maturação desafiadora respondeu:

“Sabe, guri, foi bem mais ou menos, pode melhorar.”

 

Há poesia nisso. E há um recado que vai além do placar.

 

Arthur, com sua clarividência de maestro renascido, foi o fio que costurou o jogo. Ele não acelera, ele revela. Cada toque seu parece uma prece dita em voz baixa, como quem benze o campo. O Grêmio com ele tem outra temperatura espiritual: o passe chega manso, o tempo obedece, o jogo respira.

 

E foi sob esse compasso que o “pai do sul” começou sua obra.

O primeiro gol, o batismo — pênalti frio, convicção de aço.

O segundo, o ensinamento — presença, antecipação, leitura do invisível.

O terceiro, o abraço — bola empurrada como quem embala um filho no colo.

 

O Juventude tentou reagir, claro, mas parecia menino novo diante de um veterano que já viveu todas as dores do ofício. E no fim, o placar foi menos castigo que lição.

O grande jogador e cronista esportivo que tive a honra de conhecer quando fiz pré-vestibular em Minas Gerais aos 18 anos, Tostão, diria: “O Grêmio venceu porque entendeu o tempo. O Juventude perdeu porque tentou correr atrás dele.”

 

E eu digo: o futebol é o único campo onde a maturidade educa a inocência em público, com 50 mil testemunhas e uma bola como giz.

 

Quando o apito soou, vi nas lentes das câmeras algo raro: Carlos Vinícius sorrindo para os meninos do Juventude, trocando camisas, e aquela imagem da charge ganhou carne.

O pai do sul, suado, generoso, ensinando o ofício.

 

A música que ele vai pedir no Fantástico?

Tomara que seja “Trem-Bala”, porque hoje ele foi isso — força em movimento, sem esquecer a ternura.

 

E que Arthur continue regendo,

porque quando o maestro volta, até o operário encontra sua melodia.



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