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O Peso Fúnebre da Renúncia

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • 25 de ago.
  • 2 min de leitura

Coluna de Diego Franzen


Amigo não é aquele que se compraz em validar os teus surtos, como se aplaudisse a coreografia mórbida de uma mente em vertigem. Esse não é amigo, é bonifrate, marionete de conveniências, cúmplice das tuas deformidades por cálculo ou covardia.


O verdadeiro é o que te fere com a palavra, o que te afronta no instante em que estás cego, porque prefere ver-te odiá-lo vivo a idolatrar-lhe o silêncio cúmplice na tua queda.


A confusão não é espetáculo a ser despejado no colo de quem amas. O drama que exalas, quando lançado sem pudor, não consola, contamina. Amar não é ser lixeira dos destroços alheios. Amar é sustentar a própria ruína em silêncio, se for preciso, para não envenenar o outro com o hálito de tuas desordens.


A vitória não está em subjugar o mundo como um César decrépito, mas em abdicar.


Existe grandeza em abrir mão, ainda que o gesto pareça rendição. Não se conquista o mar comprimindo-o nos punhos, mas deixando que ele desabe no seu próprio abismo.


A ingratidão é a peste invisível que corrói todas as eras.


O ingrato sorri quando precisa, cospe quando lhe convém e se ajoelha diante do manipulador que o governa como boneco.


Aquele que ontem te beijava as mãos, hoje te apunhala pelas costas, obediente a interesses que nem lhe pertencem. A ingratidão é o hálito pútrido do coração humano.


As lágrimas, alquimia secreta dos vencidos, não são gotas frágeis. São chumbo que o peito derrete. São ouro abortado, que jamais conhecerá a fulguração da pedra filosofal.


Cada gota que escorre é o extrato químico da tua impotência, o precipitado negro da tua decepção.


É o laboratório da dor a transmutar carne em cinza, esperança em ferrugem.

O filho pródigo partiu em arrogância, cego pela miragem dos festins.


Gastou-te a herança como quem suga o tutano de um osso e lançou ao vento o pão da tua paciência.


Mas há de voltar.


Voltarão sempre, não porque descobriram a gratidão, mas porque o mundo lhes fecha as portas quando o banquete termina.


E tu estarás ali, talvez, mas já não o mesmo.


Porque a alma que um dia amou foi macerada no pilão da ingratidão. E não existe alquimia que restitua um coração triturado.


Amar, às vezes, é aprender a abrir mão. E abrir mão, quase sempre, é a forma mais trágica de amar.

Diego Franzen é jornalista e escritor, autor de 15 livros. CEO da Tempora Comunicação e Editor do Portal Pauta Serrana
Diego Franzen é jornalista e escritor, autor de 15 livros. CEO da Tempora Comunicação e Editor do Portal Pauta Serrana

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