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O Presente de Risco: Por Que o Final do Ano é a Época Mais Perigosa para o Trabalhador?

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • 17 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Coluna de Vinicius Cenci Taborda


O Papai Noel, as luzes piscando e a promessa de férias. O final do ano é, para a maioria, sinônimo de celebração e descanso. Mas por trás da fachada festiva, esconde-se uma estatística alarmante: Dezembro e Janeiro são meses de pico para acidentes de trabalho no Brasil.


Se você pensa que o perigo mora apenas nas estradas lotadas ou nas festas regadas a espumante, prepare-se para uma surpresa. O risco está, muitas vezes, dentro do seu local de trabalho.


A Fadiga Acumulada e a Pressa Fatal:

A curiosidade que deveria despertar a atenção de todos é o paradoxo do final de ano: quanto mais perto das férias, mais perigoso o trabalho se torna. Por quê? A resposta está na combinação de fatores que minam a atenção e a segurança:


Fadiga Acumulada e Estresse Pré-Férias:

Onze meses de trabalho deixam uma conta a ser paga. O cansaço físico e mental reduz o tempo de reação e a capacidade de concentração. O estresse para "dar conta" das metas antes do recesso leva à pressa, e a pressa é a principal inimiga da segurança.


Aumento da Demanda e Contratações Temporárias: O comércio e a indústria, em especial, aceleram o ritmo. O aumento da jornada de trabalho e a contratação de pessoal temporário, muitas vezes menos treinado nos protocolos de segurança da empresa, criam um ambiente de maior vulnerabilidade.


O Fator Trauma: Estudos indicam que o número de traumas (que incluem acidentes de trabalho graves) pode ser até 12% maior em dezembro em comparação com outros meses do ano. É o preço pago pela desatenção generalizada e pela sobrecarga.


O trabalhador está mais cansado, a produção está mais intensa e a atenção aos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e aos procedimentos de segurança é negligenciada em nome da urgência.


O Olhar da Fiscalização: Prefeituras no Foco

A segurança do trabalho não é uma preocupação apenas da iniciativa privada. No final do ano, as prefeituras e órgãos públicos se tornam grandes palcos de risco.


Com a organização de eventos de Natal, Réveillon e festas populares, há uma explosão de montagens de palcos, estruturas temporárias, iluminação especial e queima de fogos. Todos esses serviços envolvem trabalhadores em altura, eletricistas, montadores e equipes de limpeza, muitas vezes sob prazos apertados e em condições adversas.


É neste ponto que a fiscalização do trabalho precisa intensificar sua atuação. Embora as prefeituras geralmente reforcem a fiscalização de trânsito e comércio, a atenção à Segurança e Saúde no Trabalho (SST) nas contratações e nas estruturas temporárias é crucial.


A responsabilidade da prefeitura, seja como contratante ou como organizadora de eventos em espaços públicos, é garantir que as Normas Regulamentadoras (NRs) sejam rigorosamente seguidas. Um palco mal montado, uma fiação elétrica improvisada ou a falta de EPIs para quem trabalha na decoração natalina podem transformar a festa em tragédia.


O Melhor Presente é a Prevenção:

A segurança do trabalho é um investimento, não um custo. Para os empregadores, o custo de um acidente é sempre maior do que o da prevenção, envolvendo multas, afastamentos, perda de produtividade e, o mais grave, o custo humano.


Para o trabalhador, a mensagem é clara: não troque a pressa pela sua vida. A meta de final de ano não vale a sua integridade física.


Que o espírito de celebração traga consigo a consciência de que o maior presente que podemos dar e receber é a garantia de que todos voltarão para casa, sãos e salvos, para celebrar com suas famílias. A segurança do trabalho é a base para um final de ano verdadeiramente feliz.


Vinícius Cenci Taborda é Engenheiro de Segurança do Trabalho, com MBA em Gestão de Riscos na Saúde. Possui sólida experiência na Gestão de Segurança, prevenção de acidentes e conformidade com Normas Regulamentadoras (NRs) em ambientes industriais.

Especialista na implementação de processos e no desenvolvimento de ambientes de trabalho seguros, sua atuação abrange a análise e mitigação de riscos, auditoria de segurança e monitoramento de indicadores de desempenho. É comprometido em integrar uma cultura de segurança robusta no DNA das empresas, assegurando o bem-estar e a saúde dos colaboradores.


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