Quando um ano termina, algo em nós também precisa terminar
- temporacomunicacao
- 24 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Coluna de Maia Boaro
O fim de um ano não é apenas uma mudança no calendário. É um espelho. Ele reflete quem fomos, o que suportámos em silêncio, os sonhos adiados, as dores normalizadas e os sentimentos que continuámos a carregar mesmo quando já não faziam sentido. Um ano que se despede não leva apenas dias embora — ele pede que algo em nós também tenha um fim.
Durante meses, aprendemos a conviver com pesos que não eram nossos. Guardámos mágoas por lealdade, mantivemos lembranças por medo do vazio, insistimos em sentimentos que já não nos reconheciam. Quantas vezes ficámos presos ao passado por acharmos que soltar seria o mesmo que perder? Mas perder, na verdade, é continuar a carregar aquilo que nos impede de avançar.
Deixar para trás não é fraqueza. É um ato de coragem. É escolher a própria paz em vez do apego, o crescimento em vez da repetição. Há memórias que ensinaram tudo o que tinham para ensinar. Há dores que já cumpriram o seu papel. Há capítulos que não precisam de ser relidos para que a história continue.
O novo ano não chega como uma promessa vazia — ele chega como uma escolha. A escolha de recomeçar com mais consciência, de caminhar mais leve, de não permitir que o ontem dite os limites do amanhã. Recomeçar não exige que sejamos pessoas completamente novas, mas que sejamos mais honestos connosco mesmos.
Que o novo ano seja menos sobre esperar mudanças e mais sobre provocá-las. Menos sobre resistir e mais sobre libertar. Que entremos nele não apenas com esperança, mas com a decisão firme de não carregar o que já não nos pertence. Porque só quando soltamos o peso do passado é que temos espaço para receber, de verdade, o que o futuro quer oferecer.

Maia Boaro é psicopedagoga, psicoterapeuta e psicanalista, com especialização em Término , Dependência e Narcisismo. Especialista em Neuropsicologia e problemas de aprendizagem; Educação especial infantil e TEA; Terapia cognitiva comportamental; Especialização em terapia em aba; Terapia analítica do comportamento infantil; Especialização em alfabetização e letramento.















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