Área de cultivo de arroz deve mostrar nova retração
- temporacomunicacao

- há 3 horas
- 3 min de leitura
Sob pressão de preços desfavoráveis frente aos altos custos da lavoura, setor tende a priorizar áreas com maior potencial produtivo na safra 2026/2027, diz presidente do Irga

Os potenciais impactos negativos do El Niño, combinados a fatores como crédito rural limitado, alto grau de endividamento de agricultores, preços achatados e cenário internacional conturbado, influenciarão as decisões relacionadas à próxima safra de arroz, que começa a ser semeada no Estado no final de setembro. O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) ainda está concluindo sua pesquisa sobre a intenção de plantio para o ciclo 2026/2027, mas, segundo o presidente da autarquia, Alexandre Velho, as perspectivas já sinalizam uma redução de 5% a 10% na área cultivada com o cereal, que na última safra totalizou 891,9 mil hectares. Os dados finais serão apresentados durante a 49ª Expointer, de 29 de agosto a 6 de setembro de 2026, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS).
Se concretizada, a previsão de chuvas frequentes e intensas em razão do El Niño poderá atrasar a semeadura do arroz e comprometer o desempenho das lavouras. Essas áreas são irrigadas e dependem de boa luminosidade no verão, explica Velho.
“O custo (de produção) do arroz hoje é de R$ 80 o saco. O produtor não tem como plantar em áreas que não sejam de alta produtividade, para se tornar viável economicamente. A palavra é racionalização”, enfatizou, em visita ao Correio do Povo nesta quarta-feira (5).
Preços baixos
Na avaliação do dirigente, apesar de terem esboçado uma reação, as cotações do arroz ainda são muito inferiores ao custo da lavoura. De acordo com o indicador Cepea/Irga-RS divulgado nesta quarta, o preço médio do arroz em casca (não processado), de R$ 70 a saca, atingiu em julho o maior patamar dos últimos 11 meses, refletindo um quadro de oferta baixa e demanda aquecida.
“Nós precisamos de um equilíbrio no preço, porque, do contrário, vamos depender de uma importação que não tem a qualidade do nosso arroz, não tem nem de perto os cuidados na área ambiental que nós temos”, disse Velho, citando o Selo Ambiental, certificação concedida pelo instituto a produtores de arroz irrigado que adotam práticas de manejo sustentável e atendem à legislação ambiental.
Diante dos preços desfavoráveis, Velho afirma que o Irga busca a diversificação de mercados externos, especialmente no caso do arroz em casca, que tem maior peso nas exportações do setor. Atualmente, o principal destino do produto brasileiro é a América Central. “O Brasil dependia muito de países instáveis politicamente, como é o caso de Cuba e da Venezuela. Então, a Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do Estado) fez um trabalho bastante forte, (que resultou na) abertura do México”, observou Velho.
Antes de assumir a presidência do Irga, em fevereiro deste ano, ele liderou a entidade parceira entre 2019 e 2025. “Exportamos atualmente 10%, 15% do que produzimos, precisamos aumentar o percentual exportado”, afirmou, acrescentando que o departamento comercial do Irga foi reestruturado neste ano e deve manter o foco na abertura de mercados.
Etanol
As estratégias de fortalecimento da orizicultura incluem também os biocombustíveis. Segundo Velho, o uso do arroz na produção de etanol surge como alternativa para fazer frente a crises de preços e excesso de oferta no setor, sem impactar a oferta do arroz destinado à alimentação humana. Esse novo segmento de mercado poderia estimular, inclusive, um aumento da área de plantio de arroz. “(O Estado) tem linhas de produção de etanol, hoje mais voltada para milho e trigo, que já estão sendo ampliadas, prevendo também o uso de arroz. Com uma tonelada de arroz, você consegue fazer 400 litros de etanol. A minha ideia é fazer um grupo de trabalho para se dedicar a esse assunto”, destacou.













Comentários