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A ilusão do “vai mudar”: por que insistimos mais na promessa do que na realidade

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura

COLUNA DE MAIA BOARO


Maia Boaro é psicopedagoga, psicoterapeuta e psicanalista, com especialização em Término , Dependência e Narcisismo. Especialista em Neuropsicologia e problemas de aprendizagem; Educação especial infantil e TEA; Terapia cognitiva comportamental; Especialização em terapia em aba; Terapia analítica do comportamento infantil; Especialização em alfabetização e letramento.
Maia Boaro é psicopedagoga, psicoterapeuta e psicanalista, com especialização em Término , Dependência e Narcisismo. Especialista em Neuropsicologia e problemas de aprendizagem; Educação especial infantil e TEA; Terapia cognitiva comportamental; Especialização em terapia em aba; Terapia analítica do comportamento infantil; Especialização em alfabetização e letramento.

Poucas frases mantêm tantas pessoas presas quanto o silencioso “vai mudar”.

Não é o que o outro faz hoje que sustenta a relação, mas o que ele promete ser amanhã. E assim, o presente — muitas vezes marcado por ausência, frieza, desrespeito ou instabilidade — é constantemente adiado em nome de um futuro que nunca chega.

A promessa vira anestesia.

A realidade, um detalhe incômodo.

Insistimos porque mudar o outro parece mais suportável do que encarar a verdade: talvez ele já esteja mostrando exatamente quem é. E aceitar isso exige luto. Luto da fantasia, do projeto idealizado, da versão do relacionamento que só existe na nossa expectativa.

O “vai mudar” raramente nasce do outro.

Ele nasce em quem espera.

É uma construção interna, alimentada pelo medo de perder, pelo apego, pela esperança de que amor suficiente será capaz de transformar aquilo que nunca se sustentou. Mas amor não é ferramenta de reforma emocional. Ninguém muda porque é amado demais — muda quando reconhece, por si, a necessidade de mudar.

A insistência constante na promessa revela mais sobre quem espera do que sobre quem promete. Revela uma dificuldade profunda de se escolher, de sustentar limites, de aceitar que algumas pessoas não conseguem entregar o que desejamos, por mais que queiram — ou digam querer.

E então a relação se mantém em um estado de suspensão:

não termina, mas também não acontece.

Não é ruim o suficiente para ir embora, nem bom o bastante para ficar.

O preço dessa espera é alto. Aos poucos, a pessoa vai se adaptando à ausência, normalizando o mínimo, silenciando incômodos, negociando consigo mesma aquilo que jamais deveria ser negociado: dignidade emocional.

Talvez a pergunta mais honesta não seja “ele vai mudar?”, mas

“quanto de mim eu estou disposta a perder enquanto espero?”

Relacionamentos saudáveis não são construídos sobre promessas futuras, mas sobre ações presentes. Amor que só existe no discurso é projeto, não vínculo.

Às vezes, a maior mudança não é a do outro —

é a coragem de parar de esperar.Talvez a pergunta não seja quando ele vai mudar, mas quando você vai parar de esperar.”

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