Dos Amigos Quando Partem
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COLUNA DE DECIMAR BIAGINI

Lá no campo da lembrança
vi uma cerca tombar
três invernos de esperança
foram tudo que pôde aguentar
e o vento velho das Missões
veio seus paus carregar
Bugio ronca no mato
gemendo sua canção
tudo muda num só ato
nesta roda do chão
só a gratidão permanece
clareando o coração
O cachorro que vigiava
a mangueira e o corredor
três cercados acompanhava
com coragem e com amor
mas um dia foi-se embora
pela estrada do Senhor
Veio então um cavalo
bom parceiro de jornada
cruzou rios e atalhos
pela campanha dourada
mas também deixou seu rastro
na poeira da estrada
E o homem que se imagina
dono do tempo e do lugar
é apenas neblina fina
que o sol vem dissipar
dura três cavalos somente
e depois vai descansar
Por isso tomo meu mate
vendo a aurora nascer
agradeço cada instante
cada amigo e cada bem querer
pois a vida é um empréstimo
que não podemos reter
Não me iludo com riquezas
nem com fama passageira
tudo volta à natureza
como a água da corredeira
só o bem que a gente espalha
vence a última porteira
Bugio canta distante
lá nos ermos do rincão
quem agradece o presente
não vive em vão
pois tudo passa na Terra
menos a luz da gratidão
Lá vai um amigo
Batalha que se encerra
Um pedaço comigo
No vazio de nova espera
Adeus amigo
T riste vazio
Alpas agradece
Inconformada
Ressoa em prece
Decimar da Silveira Biagini












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