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Liberdade ou fuga? O amor em tempos de Carnaval

  • Foto do escritor: temporacomunicacao
    temporacomunicacao
  • há 10 horas
  • 2 min de leitura

COLUNA MAIA BOARO


Maia Boaro é psicopedagoga, psicoterapeuta e psicanalista, com especialização em Término , Dependência e Narcisismo. Especialista em Neuropsicologia e problemas de aprendizagem; Educação especial infantil e TEA; Terapia cognitiva comportamental; Especialização em terapia em aba; Terapia analítica do comportamento infantil; Especialização em alfabetização e letramento.
Maia Boaro é psicopedagoga, psicoterapeuta e psicanalista, com especialização em Término , Dependência e Narcisismo. Especialista em Neuropsicologia e problemas de aprendizagem; Educação especial infantil e TEA; Terapia cognitiva comportamental; Especialização em terapia em aba; Terapia analítica do comportamento infantil; Especialização em alfabetização e letramento.


O Carnaval não cria desejos.

Ele apenas afrouxa os freios.

Quando a música sobe e as regras parecem suspensas, muita gente chama de liberdade o que, na verdade, é fuga.

Fuga de conversas difíceis, de limites combinados, de responsabilidades emocionais que já vinham sendo evitadas.

Amar não significa deixar de desejar.

Mas desejar não é o mesmo que atravessar acordos feitos em nome de um impulso momentâneo.

O problema não é a festa.

É o uso da festa como anestesia.

Relacionamentos frágeis sentem mais o impacto do Carnaval porque já estavam sustentados por silêncios, inseguranças e medos de confronto.

A folia apenas revela o que vinha sendo empurrado para depois.

Existe uma diferença clara entre liberdade e descompromisso.

Liberdade inclui consciência, escolha e respeito.

Fuga ignora consequências e terceiriza a dor.

Quem ama de forma madura não precisa de vigilância, mas precisa de acordos.

Porque amor não é controle — é responsabilidade afetiva.

O Carnaval passa.

A ressaca emocional, não.

E depois da quarta-feira de cinzas, o que fica não é a fantasia, nem o glitter no corpo.

É a verdade que cada um escolheu viver quando teve a chance de escolher.

Talvez a pergunta mais honesta não seja

“posso?”

mas sim:

“o que isso constrói ou destrói depois que a música acaba?”

Porque amor de verdade não sobrevive à culpa constante, à desconfiança repetida e às desculpas em nome da folia.

Ele sobrevive à verdade, mesmo quando ela exige maturidade.Quando a música para e a fantasia cai, sobra a verdade.

A pergunta não é o que você fez no Carnaval,

mas quem você escolhe ser quando ninguém está olhando.

Liberdade não é fazer tudo o que se quer.

É sustentar as consequências do que se escolhe.

E você: viveu liberdade ou usou a festa para fugir?

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