Liberdade ou fuga? O amor em tempos de Carnaval
- temporacomunicacao
- há 10 horas
- 2 min de leitura
COLUNA MAIA BOARO

O Carnaval não cria desejos.
Ele apenas afrouxa os freios.
Quando a música sobe e as regras parecem suspensas, muita gente chama de liberdade o que, na verdade, é fuga.
Fuga de conversas difíceis, de limites combinados, de responsabilidades emocionais que já vinham sendo evitadas.
Amar não significa deixar de desejar.
Mas desejar não é o mesmo que atravessar acordos feitos em nome de um impulso momentâneo.
O problema não é a festa.
É o uso da festa como anestesia.
Relacionamentos frágeis sentem mais o impacto do Carnaval porque já estavam sustentados por silêncios, inseguranças e medos de confronto.
A folia apenas revela o que vinha sendo empurrado para depois.
Existe uma diferença clara entre liberdade e descompromisso.
Liberdade inclui consciência, escolha e respeito.
Fuga ignora consequências e terceiriza a dor.
Quem ama de forma madura não precisa de vigilância, mas precisa de acordos.
Porque amor não é controle — é responsabilidade afetiva.
O Carnaval passa.
A ressaca emocional, não.
E depois da quarta-feira de cinzas, o que fica não é a fantasia, nem o glitter no corpo.
É a verdade que cada um escolheu viver quando teve a chance de escolher.
Talvez a pergunta mais honesta não seja
“posso?”
mas sim:
“o que isso constrói ou destrói depois que a música acaba?”
Porque amor de verdade não sobrevive à culpa constante, à desconfiança repetida e às desculpas em nome da folia.
Ele sobrevive à verdade, mesmo quando ela exige maturidade.Quando a música para e a fantasia cai, sobra a verdade.
A pergunta não é o que você fez no Carnaval,
mas quem você escolhe ser quando ninguém está olhando.
Liberdade não é fazer tudo o que se quer.
É sustentar as consequências do que se escolhe.
E você: viveu liberdade ou usou a festa para fugir?
















Comentários